domingo, 7 de junho de 2009

O Inverno no Município de Candelária/RS é quente!


Nesta 6ª feira, dia 05 de Junho, saímos da sede do Grupo às 5h da manhã para pegar a estrada rumo à região do vale central do estado. O Samir parecia o Kenny do South Park. Eu cheia de agasalhos, polainas, o Márcio de pala, tudo pensando no frio que iríamos encontrar. Mas a recepção foi tão calorosa que me esqueci de tremer. A participação das escolas aqueceu coração, corpo e alma. O tratamento dispensado pela Brunilda, pela Marta e pelo pessoal da divisão do meio ambiente do município: Orlando Kochenborger, que nos ensinou um pouco mais sobre a história do Município, e Lidiane Radtke, que nos guiou em um belo passeio turístico pela cidade e no Aqueduto, foi muito bom. Apesar de termos realizado duas apresentações, o dia passou voando, sensação que existe quando estamos felizes. O retorno foi tranquilo, só quando chegamos em Porto Alegre é que tivemos um probleminha: o motor do carro superaqueceu. Até o carro sentiu calor... Pessoal de Candelária: muito obrigada! Esperamos reencontrá-los em breve.

Anelise

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Boal – O homem que inventava o futuro









No dia 02 de maio, veio a falecer aos 78 anos, o diretor, dramaturgo e teórico Augusto Boal, vítima de insuficiência respiratória, sofria de leucemia e estava internado desde o dia 28 de abril.

O filho do Padeiro, como se intitulou em sua autobiografia Hamlet e o filho do padeiro, criador do Teatro do Oprimido, esteve entre os indicados ao Prêmio Nobel da Paz 2008. Não ganhou, mas no mesmo ano recebeu o prêmio da Fundação Príncipe Claus para a Cultura e o Desenvolvimento, entregue pela Família Real holandesa. No Brasil, nunca foi tão difundido quanto no exterior, em Nova Iorque , por exemplo, existe até o dia do Teatro do Oprimido, proclamado pela Prefeitura.

Augusto Boal foi um dos mais importantes criadores de teatro do século e o seu método de trabalho é realizado em mais de setenta países, em diversas áreas como educação e movimentos sociais. Os grupos de Teatro do Oprimido ajudam milhões de pessoas ao redor do mundo a afirmarem sua cidadania nas lutas contra todo desrespeito aos Direitos Humanos.

Uma das modalidades de Teatro do Oprimido mais utilizadas, segundo a Professora Drª Sílvia Balestreri, incentivadora da criação do CTO-Rio, é o Teatro-Fórum. Veículo de ativação e mobilização não apenas na hora de ser apresentado e de se convidar a platéia a intervir na cena, quando ela toma lugar dos protagonistas para propor alternativas à situação mostrada, mas também no processo de criação e montagem de peças, pois há confrontos com questões que reviram qualquer possibilidade de postura cristalizada.

Para se ter uma idéia da relevância de seu trabalho, Boal lembra que trinta dias após a tragédia das torres gêmeas do World Trade Center começou uma oficina no Teatro Laboratório do Oprimido em Nova Iorque com os jovens próximos do local onde ainda estavam soterrados seis mil mortos. Com cautela para não provocar emoções dolorosas, percebeu que o medo era a tônica do que brotava nas cenas. Um medo desvelado pelo teatro que possibilitava compartilhar os anseios e vontades oprimidas e não estava restrito a tragédia recente, mas ao desamparo do humano frente a insegurança no mundo. Constatou Boal que a verdade é terapêutica, jovens aprenderam a ver o mundo além de suas fronteiras praticando o teatro, o diálogo, queriam conquistá-la. Perplexos, buscavam sua verdadeira identidade, escamoteada pelo mentiroso discurso político e pela mídia censurada.

O embaixador do teatro pela UNESCO Augusto Boal inventava o futuro, por que via mais além. No discurso de homenagem ao dia do teatro Boal disse: Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

Márcio Silveira dos Santos


sábado, 2 de maio de 2009

O Teatro de rua pede passagem




Dentre os gêneros de teatro o mais popular é o teatro de rua. Desde os tempos remotos da Grécia antiga o teatro perambula pelas ruas, antes mesmo de tornar-se nome dos prédios onde são apresentadas peças de teatro. O estilo teatral que mais utilizou a rua como espaço cênico foi a commedia dell'arte, trupes em carroções mambembeavam por toda Europa no período da idade média. As intervenções eram realizadas em feiras populares e em frente a igrejas e instituições que representavam o poder vigente. Com o passar dos séculos o teatro entrou nos castelos, igrejas e pousadas. Foi se aprisionando em função da subsistência dos artistas e da manutenção do repertório.


No Brasil nos últimos trinta anos o teatro de rua voltou com força total, muito se deve principalmente ao fato de ser um período pós-ditadura. Os anos de chumbo, ironicamente, foram a catapulta que faltava para o teatro de rua brasileiro germinasse. Através de passeatas e manifestações contra o regime militar se realizavam encenações na multidão que protestava. A efervescência do teatro de rua contaminou mais e mais grupos e nos dias de hoje são realizados muitos eventos pelo país e no mundo. Segundo o sociólogo francês Jean Duvignaud em Sociologia do Teatro, há vínculos muito fortes entre o fenômeno teatral e os fenômenos sociais, o teatro não é mero reflexo da realidade social, existe uma complexa relação entre os fenômenos sociais e a arte teatral, se observam múltiplas interferências em ambas as direções.


No Rio Grande do Sul os anos noventa viram o teatro de rua tomar conta das cidades. Grupos como o Oi Nóis Aqui Traveiz, Espalha-Fatos, Perna de Pau, Alcatéia, Falos & Stercus e Bumba Meu Bobo revolucionaram o teatro. Realizaram mostras, circuitos e oficinas de teatro por todo Estado, decolaram para o resto do país participando dos principais festivais. Foi neste momento histórico que o Rio Grande do Sul virou exemplo, modelo e celeiro de teatro de rua no Brasil. Mas nem tudo são flores, grupos encerraram as atividades em função da falta de uma política cultural.


Na presente década surgem novos grupos e cias que investem na encenação ao ar livre, como o Grupo Teatral Manjericão, Oigalê, Povo da Rua, Usina do Trabalho do Ator, Cia Stravaganza. Algumas instituições como o SESC e Prefeituras estão repensando a situação e começam a esboçar novas ações para uma política cultural efetiva como o 1º Festival de teatro de rua e o 4º Palco Giratório/RS, em abril e maio, que contemplam o teatro feito para o povo que não tem acesso as salas em que parte do teatro está ainda aprisionada. Que o libertem de vez e abram caminho, pois ele passagem.





Márcio Silveira dos Santos

Teatro de Rua em Porto Alegre


O Manjericão vem chegando com muita história para contar... Do pó da rua aos pixels já se vão 11 anos, dedicados ao Teatro de Rua, à pesquisa e ao ensino. Como não temos sede própria para receber os amigos para uma conversa resolvemos nos abancar por este sítio, de máscara e cuia, para ver se entre o nascente e o poente (ou entre o poente eo nascente) surjam novas propostas, novos sonhos, novos amigos, novos projetos - e os antigos também que serão bem vindos.
O inverno está aí, espreitando, e nada melhor para aquecer do que o amargo do chimarrão ou calor de uma boa discussão.
Pois te aprochega e vamos trocar algumas idéias.
Anelise Camargo